Pois, pois...
Portugal é um país muito, muito bonito.
O engraçado é que já o conhecia, já estive andando por lá várias vezes...
Mas nunca fui aonde fui desta vez. Fui ver e entender de onde vim, de onde viemos, e provavelmente para onde irei um dia.
Uma terra cheia de sol e cheia de calor. Calor humano especialmente.
Gente super civilizada, cheia de cultura e amadora da beleza discreta.
E que desde os tempos de PORTVGALIA, o negócio sempre foi fazer negócio.(...)
Enfim, escrever sobre esta terra de todos nós...
No Norte, tudo me pareceu lindo. Rico de história, rico em fausto, mas sem demonstrações de luxo. A sobriedade portuguesa está por todo lado, mais o conforto e a delicia do bem e saber viver.
Mesmo nos menores vilarejos, como diria minha avó - as janelas se vestem de rendas -, as casas são pintadas com o gosto instintivo e passional pela cor.
E que cores...
Dos rosas e laranjas mais potentes, como sobre o Castelo da Pena, aos tons pastéis mais sinceros e delicados, em casas adereçadas de roseirais; ruas e praças inundadas de jacarandás em plena floração. Pois, pois... a primavera nos deu de presente esta chance, 10 dias de céu azul e de calor intenso.
Verde oliva, cor que sabem manipular em declinações inusitadas, e combinações únicas, e como direi... difíceis, mas sensivelmente inteligentes.
Azuis sinceros, pois pois... porque conhecem muito bem o que quer dizer o azul do céu.
Pecam pelo amarelo. Vi de tudo, do mais periquito ao mais canário, ao mais cadmium puro.
Isso, por sobre os muros das casas, e/ou frisas decorativas, pois casa portuguesa com certeza
tem que ter um detalhe de cor mesmo nos vilarejos chamados "brancos".
E ao fim, o que possa soar desagradável ao olhar, tem a doçura do óleo de oliva, e a maciez da cortiça, e a simplicidade do peixe grelhado e a sofisticação dos doces feitos em nata pura. (E o aconchego) Das pousadas portuguesas, antigos conventos com paredes pintadas à mão e austeridade de desenho arquitetônico, mesmo em períodos em que reinavam o barroco ou manuelino...
Enfim, como me disse um senhor dono da cortiça perto de Sol Tróia... "eles com as deles e eu com as dos outros..."
E foi assim que alguns ou algumas acabaram por ter um ar meio asiático... -quem diria -... desde os tempos da doce Inês de Castro.
Mesmo que pareça fantasia da minha mente doente em inventar um pouco de tudo, enfim, na China e nas Índias alguém andou se divertindo entre uns e outros e/ou outras.
Falando nisso, mesmo em Mirandela tem chinês. Em todo lugar, nos vilarejos mais escondidos de Trás
os Montes, tem um, com filhos... com vários deles. E com a sua loja aberta das 8 da manhã às 9 da noite. Ninguém pode evitar ter que ter necessidade de alguma coisa - que eles certamente devem ter - entre um milhão de outras, enfurnadas em um espaço lotado de tudo o que for necessário, mesmo à quem não precisa de nada.
Inevitável. Percebes?
Para continuar a peripécia, em descendo a rota dos vinhos, entre Trás os Montes e o Alentejo, a paisagem se dedica à três coisas: às uvas, às azeitonas e à cortiça.
Entre uma e outra planta, juro por o que for mais sagrado, nem um capim fora do lugar.
Uma roseira colorida como que a dar um jeitinho de quem não quer nada, mas adora decorar, mesmo a terra nua por onde pisa.
Meu Deus ... Que Deus ajude esta terra. A catástrofe econômica toca à porta...
Mas os portugueses... sábios, ou sabidos... já construíram estradas em dobro... (...), portanto, viajar pela "terrinha" é um grrrrrrraaannnde" prazer.
Assim, a grana do maior produto nacional bruto depois do vinho - o turismo-, está garantido mesmo na
pior das recessões. Você vai de todo lugar a todo lugar.
Não existe um pedaço de Portugal que falte gente agradável, gentil e educada; nenhum lugar que falte água, que falte luz, que falte azeitonas ou que falte peixe, ou um chinês.
Tem também inglês por todo lado. O Porto é um reduto deles.
Que cidade linda.
Francamente.
Quem gosta de comer Mil Folhas... pois... dedico, com todo amor, um conselho aos amantes de belas
casas e de tudo o que cheira bem, que tem gosto e que tem vida. Visite O Porto.
O Algarve, dedico aqueles que gostam de deserto cultural.
Sagres lugar ideal aos surfistas e navegantes de todo mundo.
A rota é um pouco longa, mas feita com enorme desenvoltura pelas estradas portuguesas:
Lisboa, Sintra, Mafra, Obidos, Nazaré, Leiria, Coimbra, Agueda, Porto, Paredes, Vila Real, Mirandela, Vila Flor, Mogadouro, Parque Nacional do Douro,Meda, Guarda, Serra da Estrela, Fundão, Portalegre, Estremoz, Evora, Monsaraz, Mourão, Beja, Castro Verde, Albufeira, Lagoa, Portimão, Lagos, Vila do Bispo, Sagres, Aljezur, Sines, Comporta, Sol Troia, Setubal, Parque da Arrabida, Sesimbra, Lisboa.
10 dias de sol e calor especialmente dedicados a nós outros.
Modestamente.
Lilian
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