João Antônio Roque. (meu bisavô materno)
Está aí um ancestral que me fascina.
Não porque imagine que ele tenha sido algum herói ou coisa parecida. Mas, porque ,apesar das lacunas no levantamento de sua trajetória de vida (que ainda não consegui suprir com os dados que obtive até o momento) ele viveu o seu tempo com empreendedorismo, que foi uma marca da vida de boa parte dos europeus ocidentais do século XIX.
João Antônio nasceu em 30 de dezembro de 1852, na Freguesia da Sé, Portalegre, Alentejo, Portugal.
Casou-se, aos 22 anos, com Francisca do Patrocínio Botas (ou Bottas).
E, tiveram Victória Emilia. Victória não teve irmãos (só um meio irmão, mas isto é outra história...). Porque, sua mãe, Francisca, morreu logo após o parto, provavelmente de febre puerperal - o temível "mal do parto" muito comum naquela época em que os filhos nasciam em casa nas mãos de uma parteira. Logo de início, e até Victória ter uns sete anos, João só alugava casa onde já morasse um casal com filhos, para que Victória tivesse quem cuidasse dela; e para que ela tivesse companhia de outras crianças, enquanto João trabalhava.
João , ao casar-se , era fabricante. Mas, fabricante de que? Onde? Em sua própria cidade? Ainda não consegui descobrir.
Num dado momento, talvez pelo ano de 1883/84, Victória foi para Lisboa com seu pai. Em Lisboa, João internou Victória num colégio, o que não era muito comum para as mulheres portuguesas daquele tempo: as ricas, ou nobres,tinham instrução em casa, com preceptores; e existiam educandários religiosos e laicos para as órfãs. O nível de analfabetismo entre as mulheres em Portugal, naquela época, era muito alto. Mas, João já mostrou aí, que sua ambição não era só buscar sucesso econômico, mas queria que sua filha tivesse uma boa instrução.
João , então, recomendou sua filha diretamente à diretora do colégio. Victória era responsabilidade da Diretora. Por isso, suspeito que o colégio era um educandário para órfãs, já que, como disse antes, não havia colégio para meninas nessa época, em Lisboa. (pelo menos minhas pesquisas não apontam nenhum). E, até onde sei, não ficou nenhuma amizade de Victória por lá, ela só falava na tal Diretora.
Porém, havia outro motivo para que João internasse sua filha: ele precisava viajar!
Se já havia alguma coisa aqui no Brasil para ele, ou, simplesmente ele veio aventurar-se por aqui, como tantos outros portugueses, ainda não posso precisar. Só sei que, segundo o Almanak Laemmert, em 1887 João já estava estabelecido no centro do Rio de Janeiro com uma livraria que , também era um sebo, na rua do Hospício,nº57. Em 1888, segundo o mesmo Almanak, "J.A. Roque era representante de Campos & C. ,Lisboa, na r. Gonçalves Dias, 63". Campos e Cia era uma editora portuguesa. Teria João, também uma tipografia? Minha mãe acha que sim.
Fervilhavam, nessa época no Rio de Janeiro, as idéias abolicionistas e republicanas e os debates e publicações dos que eram pró ou contra a cada uma dessas idéias. João, ao que parece, tomou partido das idéias mais liberais e publicou algum panfleto em sua tipografia. Para não ser preso, fugiu para São Paulo por um tempo. E, enquanto cavalgava em direção a São Paulo descobriu, provou e gostou da enorme " pêra brasileira"!
Que fruta será essa?
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