sexta-feira, 5 de junho de 2009

João (continuação...)



João casou-se novamente.
Ainda não consegui dados precisos sobre esse segundo casamento (parece que foi no Brasil). Com a segunda esposa, ele teve um filho chamado Victor Roque (brasileiro?). Esse nome parece que foi dado em homenagem a sua meia irmã Victória, minha avó.
Minha avó chamava sua madrasta de Comadre ( Victória batizou o Victor?). Meus tios e minha mãe só a conheceram por esse nome "Comadre" .Isso tem dificultado o levantamento de dados dessa parte da história. Meu bisavô João (talvez junto com sua segunda esposa) batizou minha tia Hercília. A irmã da "Comadre" ,cunhada de meu bisavô, também ficou conhecida na família pelo apelido que meus tios lhe deram:"Dindinha de Todos", pois ela deve ter batizado um dos meus tios mais velhos, mas, também pude apurar que era conhecida como Mariquinha.
João, sua esposa e seu filho Victor voltaram para Portugal, Lisboa, por volta de 1909/1911. Nessa altura da vida ele já tinha feito uma pequena fortuna e era chamado de capitalista. Além da livraria, e de representar uma editora, parece que tinha uma Tipografia e negócios com cerâmica em Portugal.
Existe uma carta de João ( parte da carta está na figura acima), datada de 1919, para sua neta e afilhada Hercília( a quem todos nós chamávamos de "Cilinha") por ocasião do aniversário desta.
É uma carta muito carinhosa, onde ele pergunta por todos os netos queridos e se diz já muito velho e doente (aos 68 anos!). Ele escreveu essa carta da localidade de Álges, que, naquele tempo era um lugar de veraneio, na periferia de Lisboa, e ele estava lá para repousar e se recuperar, acompanhado de sua esposa. mas, o estranho é que ele não fala no filho Victor em nenhum momento, nessa carta.
Tudo indica que o bisavô João faleceu pouco tempo depois disso.
Nessa carta ele se refere a outra carta que escreveu para sua neta mais velha , a Hermínia (a "Mina", como era chamada). Pena que essa carta não foi encontrada.
Minha avó foi chamada para o inventário do pai, mas, meu avô Fernandes não permitiu que ela fosse , pois "não precisaria de nenhum bem material que o pai tivesse deixado para ela". A "estrela comercial" do vovô Fernandes brilhava alto nessa ocasião...
Com isso, e por outros motivos que desconheço, a família perdeu todo o contato com a madrasta de vovó e com seu meio irmão Victor.
Em outubro passado, pude fotografar a rua, em Lisboa, que esse bisavô morou com sua 2ª família; e onde nasceu meu tio Marino ,em 1914. Mas, a casa onde eles moraram já havia sido demolida e em seu lugar estava um prédio recém construído.


Sabem que fruta era?

O abacate!!
Lógico que sua comparação foi só uma analogia com a forma da fruta, que lembrava a pera, tão comum em Portugal.
Ele comeu o abacate e ficou fã!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

João



João Antônio Roque. (meu bisavô materno)


Está aí um ancestral que me fascina.


Não porque imagine que ele tenha sido algum herói ou coisa parecida. Mas, porque ,apesar das lacunas no levantamento de sua trajetória de vida (que ainda não consegui suprir com os dados que obtive até o momento) ele viveu o seu tempo com empreendedorismo, que foi uma marca da vida de boa parte dos europeus ocidentais do século XIX.


João Antônio nasceu em 30 de dezembro de 1852, na Freguesia da Sé, Portalegre, Alentejo, Portugal.

Casou-se, aos 22 anos, com Francisca do Patrocínio Botas (ou Bottas).

E, tiveram Victória Emilia. Victória não teve irmãos (só um meio irmão, mas isto é outra história...). Porque, sua mãe, Francisca, morreu logo após o parto, provavelmente de febre puerperal - o temível "mal do parto" muito comum naquela época em que os filhos nasciam em casa nas mãos de uma parteira. Logo de início, e até Victória ter uns sete anos, João só alugava casa onde já morasse um casal com filhos, para que Victória tivesse quem cuidasse dela; e para que ela tivesse companhia de outras crianças, enquanto João trabalhava.

João , ao casar-se , era fabricante. Mas, fabricante de que? Onde? Em sua própria cidade? Ainda não consegui descobrir.

Num dado momento, talvez pelo ano de 1883/84, Victória foi para Lisboa com seu pai. Em Lisboa, João internou Victória num colégio, o que não era muito comum para as mulheres portuguesas daquele tempo: as ricas, ou nobres,tinham instrução em casa, com preceptores; e existiam educandários religiosos e laicos para as órfãs. O nível de analfabetismo entre as mulheres em Portugal, naquela época, era muito alto. Mas, João já mostrou aí, que sua ambição não era só buscar sucesso econômico, mas queria que sua filha tivesse uma boa instrução.

João , então, recomendou sua filha diretamente à diretora do colégio. Victória era responsabilidade da Diretora. Por isso, suspeito que o colégio era um educandário para órfãs, já que, como disse antes, não havia colégio para meninas nessa época, em Lisboa. (pelo menos minhas pesquisas não apontam nenhum). E, até onde sei, não ficou nenhuma amizade de Victória por lá, ela só falava na tal Diretora.

Porém, havia outro motivo para que João internasse sua filha: ele precisava viajar!

Se já havia alguma coisa aqui no Brasil para ele, ou, simplesmente ele veio aventurar-se por aqui, como tantos outros portugueses, ainda não posso precisar. Só sei que, segundo o Almanak Laemmert, em 1887 João já estava estabelecido no centro do Rio de Janeiro com uma livraria que , também era um sebo, na rua do Hospício,nº57. Em 1888, segundo o mesmo Almanak, "J.A. Roque era representante de Campos & C. ,Lisboa, na r. Gonçalves Dias, 63". Campos e Cia era uma editora portuguesa. Teria João, também uma tipografia? Minha mãe acha que sim.

Fervilhavam, nessa época no Rio de Janeiro, as idéias abolicionistas e republicanas e os debates e publicações dos que eram pró ou contra a cada uma dessas idéias. João, ao que parece, tomou partido das idéias mais liberais e publicou algum panfleto em sua tipografia. Para não ser preso, fugiu para São Paulo por um tempo. E, enquanto cavalgava em direção a São Paulo descobriu, provou e gostou da enorme " pêra brasileira"!

Que fruta será essa?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Agradecimentos

Agradeço as manifestações de carinho e encorajamento enviadas para este Blog e para meu correio eletrônico. Espero poder corresponder às expectativas de todos, para isso, darei continuidade às informações pretendidas.
Meu objetivo inicial foi começar pela postagem dos quatro núcleos familiares que, por sua junção, permitiram que eu estivesse aqui falando hoje com vocês: os Roque, os Fernandes, os Sampaio Corrêa e os Greenhalgh. Porém percebi que, para postar e trocar informações, seria melhor separar os núcleos familiares maternos e paternos.
Portanto, esse Blog a partir de agora, será utilizado apenas para as postagens e trocas de informações sobre os Roque (com origem em Portalegre, PT e descendência no BR) e os Fernandes (com origem em Braga, PT e descendência no BR) e outras famílias afins.
mas, todos estão convidados a visitar meu outro blog. O endereço dele é: http://familia-sampaiocorrea-greenhalgh.blogspot.com

Abraços a todos

domingo, 31 de maio de 2009

História de Família


Esta bela imagem da família Fernandes ( Roque Fernandes ) tirada por volta de 1913/14, foi sempre uma fonte de inspiração e curiosidade para saber mais sobre ela.
De pé, atrás de todos, meu avô Manoel Joaquim Fernandes, natural de Braga, Portugal. E, da esquerda para direita: meus tios Manoel, Hilda, Hercília, Amândio, minha avó Victória, natural de Portalegre, Portugal, e meus tios Hermínia e João. Todos esses tios nascidos no Brasil.
Manoel e Victória já vieram adultos para o Brasil e aqui se conheceram e casaram em 1899.
Antes dessa foto, dois filhos já haviam falecido: os dois Horácios. O mais velho, faleceu de varíola no final de um surto dessa doença (tais surtos eram comuns no Rio de Janeiro naquela época),provavelmente com 2 anos (1902?). E, o outro, nascido logo após o falecimento do 1º, faleceu de complicações de uma queda onde fraturou a coluna (falecido em 1906?). Depois desses filhos, mostrados na foto, o casal teve ainda mais 4 filhos: Marino, Ary, Herbert (natimorto), e Deifille.
Os três últimos, também brasileiros; mas, Marino nasceu em Lisboa, Portugal, em 1914, durante uma das viagens da família àquele país. Provavelmente, minha avó Victória estava grávida dele nesta foto, que , ao que tudo indica, foi tirada em Lisboa.
Pretendo ir acrescentando, aos poucos, mais um pouco dessa história. E, convido a todos os interessados a fazer o mesmo; para que possamos , juntos, resgatar a nossa história. Que sendo de uma família é também a história de muitas famílias, de um lugar , ou de vários lugares, enfim é um pouco da história brasileira (e, nesse caso, um pouco portuguesa também).